Um Sonho
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Quereria eu partir
Num descanso sossegado
Embarcando com o futuro da vida
Para onde a paz e o mar se encontrassem
Naquela imensidão tão bela
Sem fim…
O meu sonho possa então sonhar
Mas um sonhar descansado
Dormir acordada na beleza
De uma aurora que me espreita
Por entre as pestanas
Ainda semi-cerradas
Do meu sono que se vai.
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Quereria sentir a brisa suave
Acariciar-me a alma dorida
De um amor magoado
Que não ficou…
Depois perder-me no mistério
Duma melodia longínqua
Suave…tão suave…
Que me acalme o coração
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©06-05-2008 Fernanda F. Rocha. All rights reserved
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Alma Atlântica
A minha alma funde-se
Nesta profundidade Atlântica
Onde cada onda talha n’areia
A saudade de um amor
O meu coração ancorou
Nas suas areias fundas
Cheias de infinitos mistérios
Onde o amor nostálgico se escreve
E o mar empresta-me a sua voz
Para gritar as dores amordaçadas
Empresta-me as suas lágrimas
Para chorar as minhas mágoas
Depois fala-me de mansinho
Diz-me das minhas ânsias
Acaricia-me as minhas feridas
Atenua-me as minhas penas
Embala-me no seu imenso seio
E lembra-me
Da minha alma atlântica…
Trilhos de Vida
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Tenho a visão dum sonho
Que se esfuma
Vago sussurro
Esperança longínqua
Chama ténue
Que se esvanece
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Olho para trás e não vejo
Quem passa, porque já passou
Que a vida que procurei
Que tanto sonhei
Não mais foi que uma brisa
Uma nuvem de esperança
Que o ar levou
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Já não há mágoa que me consuma
Restos de vida espalham-se
Sem que os segure
Laços soltos de dor
Penas cumpridas
Beijos de mágoas
Desilusões vividas
São os trilhos da minha vida
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06-05-2008 Fernanda F. Rocha. All rights reserved
© 2007 Fernanda F. Rocha. All rights reserved
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Um Sonho . Quereria eu partir Num descanso sossegado Embarcando com o futuro da vida Para onde a paz e o mar se encontrassem Naquela imensidão tão bela Sem fim… O meu sonho possa então sonhar Mas um sonhar descansado Dormir acordada na beleza De uma aurora que me espreita Por entre as pestanas Ainda semi-cerradas Do meu sono que se vai. . Quereria sentir a brisa suave Acariciar-me a alma dorida De um amor magoado Que não ficou… Depois perder-me no mistério Duma melodia longínqua Suave…tão suave… Que me acalme o coração . 06-05-2008 Fernanda F. Rocha. All rights reserved
Obras do Tempo
Como os mais brilhante poeta
O tempo escreve as linhas da vida
Apaga os mais tristes pesares
Dá tempo à saudade para morar
Dá penitencia ao desamor
Dá tempo de amar infinitamente
Dá o sonho sonhado ou vivido
Passa as mais belas canções
Cega a ciência com emoções
O tempo não tem pressa
Não se incomoda a pensar
Observa eternamente a vida que se cria
Como quem ama e não sabe
E com aquela eterna inocência
De quem não tem culpas
Esculpe na areia as penas, a dor
E mata as paixões violentas
Nascidas de coisa nenhuma
O tempo é a paciência descansada
De quem tem todo o tempo do mundo
Desvanecer
Exposta ao tempo
Despida no vento
Sem ser
Sem querer
Raíz arrastada
Sem alma
Sem nada
Sem alvorecer
Leito desfeito
Sem marcas, afeito
Sem noite, sem dia
Sem entardecer
Sede perdida
Pedra ferida
Longo desvanecer
© 2007 Fernanda F. Rocha. All rights reserved
Viajante da Noite Viajante da noite Por onde andas tu De alma perdida Despido e nu Viajante da Noite Não pedes Guarida Alheio à sorte Sem encontrar saída Viajante da noite Que trazes no peito Recordações tardias Trazidas dum leito Viajante da noite Não baixes cabeça Não fiques à espera Da tua sentença © 2007 Fernanda F. Rocha. All rights reserved Bailar De Sentidos Nesta mente Despida de pressões Bailam infinitas insinuações Ao sabor de uma melodia suave Nesta paz doce e calma Recria-se, num sorriso plácido Duns olhos cerrados, Um discreto penetrar Duma luz fulminante Neste querer de nada querer Há um paganizar de emoções Um despir de sentidos Um protesto mudo às paixões Um silenciar o silêncio © 2007 Fernanda F. Rocha. All rights reserved Esta Dor…. Não suporto a dor E ela é parte de mim Por isso quero morrer Morrer só para mim Conclui que não posso morrer Não sei sequer se vivo Se algum dia já vivi Se só imito a vida… Não vejo senão o deserto Uma imensidão de vazio Sinto a cabeça oca Varre-se-me o sentimento Mas esta dor Que se me ferra no peito Com tanta força Não é minha Não suporto a dor Vou partir… Parto de mala vazia Carregada de mim Errando o caminho © 2007 Fernanda F. Rocha. All rights reserved Primavera Aquilo Que só tu sentes Que os teus olhos vêm Que o teu ego recria Que brotas Desse rosto incandescente Num sorriso tranquilo De um interior que se abre Cria raízes Acalma tempestades Floresce como a primavera Estende ramos fortes Cheios de amor Como uma melodia Que me acolhe Dia a dia © 2007 Fernanda F. Rocha. All rights reserved Desconcerto Neste encontro que me desconcerta Só não me encontro a mim Nesta vida tão deserta Sinto-me num fosso sem fim Arrasto comigo a tristeza Do meu mundo de desencanto Já nada em mim desperta Já nem sequer me espanto Volto as palmas das mãos Tento ler a minha sina Vejo linhas e mais linhas Caminhos cruzados, enigmas Travo lutas e não sei Do vencedor ou vencido Subo montes e vejo trevas Só me encontro comigo © 2007 Fernanda F. Rocha. All rights reserved Palhaço Uma lágrima escondida Um rosto mal pintado Causa riso Um lamento desafinado Num trompete mal tocado Causa riso Um gesto desenhado Um andar desconcertado Causa riso Ele busca alegria Naquele que ri De si © 2007 Fernanda F. Rocha. All rights reserved Só Deixaste-me só Não me falaste do teu regresso Não me pediste a tua espera Deixaste-me de mãos vazias No caos da minha dúvida E a saudade na boca seca Ficaste no dia que não te esperava Partiste da minha ansiedade Que já não te consolava Tardaste em ignorar o que não esqueço Imitar nas derrotas vitórias Fundir-me no gelo que me gelaste © 2007 Fernanda F. Rocha. All rights reserved Tadinho Uma cigana leu-lhe a sina E disse… Tadinho meu filho Tadinho de ti Tadinho sorria A cigana continuou… Tua linha de vida é comprida Oh tadinho Que males vejo em ti E Tadinho sorria A cigana não parou… Que vejo nessa mão Linhas, só linhas P’ra te enrolar P’ra te prender P’ra tropeçar P’ra te coser E nunca para viver Paras na vida que vive Sem a tocar Não olhas a noite que te acolhe Dormes Nasceste em lua cheia Feito quarto minguante Tadinho sorria A cigana não gostou E irada falou… De que te ris desgraçado? Sempre sorrindo Tadinho respondeu… De nós Tadinhos de nós! © 2007 Fernanda F. Rocha. All rights reserved “Liberdade” Na estrada parada Sem luz Sem rosto Caminhava sozinha Pensando Nas batalhas travadas Já idas Onde a vontade e o crer Venceram Já nada me barrava o caminho Meus passos não eram seguidos A nada estava obrigada Como um pássaro Longe do bando Voando livremente Senhor do céu, de si Caí então Caí na liberdade Fabricando um novo mundo Só meu Era a rainha Era a súbita Era tudo que sonhava Naquela estrada parada Uma ave depenada 2007 Fernanda F. Rocha. All rights reserved